quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Caso de policiais civis baleados por militar causa atrito entre corporações e divide opiniões em BH

O fato de dois policiais civis terem sido baleados por militar no bairro Juliana, na região norte de Belo Horizonte, causou atrito entre as corporações, cujos representantes têm opiniões diferentes sobre o que ocorreu.


Depois que Marcelo Batista Bento, de 31 anos, e Marcelo Gonçalves Ferreira, de 32, foram baleados e socorridos, a rua onde ocorreu o fato foi tomada por dezenas de policiais civis e militares, que entraram em atrito por mais de uma vez.

O desentendimento mais grave ocorreu após policiais militares tentaram levar o policial responsável pelos disparos para um quartel e não para uma delegacia.


Revoltados, civis impediram que a viatura fosse para o quartel e tiveram que ser contidos. Eles alegaram que, como o militar praticou o crime no momento em que não estava trabalhando, ele tem que responder pela tentativa de homicídio na Justiça comum e não na militar, como queriam os militares presentes no local.



Outro ponto que causou atrito entre as corporações foi a questão de integrantes da PM (Polícia Militar) terem tentado levar a principal testemunha, um motoqueiro, em uma viatura da sua corporação. Depois de discussão, o piloto acabou sendo transportado em um carro da Deoesp (Divisão Especializada de Operações Especiais).



De acordo com Sinpol/MG (Sindicato dos Policiais Civis de Minas Gerais), a tentativa da PM de impedir a ida do cabo à delegacia expõe a rivalidade entre as forças.

Já durante coletiva sobre o caso, o superintendente da PC (Polícia Civil), Jefferson Botelho, e o corregedor da PM, Helbert Fernandes, tentaram explicar o que ocorreu, respectivamente.


— Evidentemente, esse acirramento de ânimos diante de uma circunstancia dessa natureza é até previsível. Felizmente, graças a Deus, não aconteceu um fato pior. Se houve excesso, esse acirramento de ânimos, evidentemente, as pessoas serão ouvidas e responsabilizadas



— Tivemos uma participação muito efetiva das autoridades, dos próprios policiais civis, dos militares, apesar de estarem ressentidos e sentidos com a situação. Ter um colega baleado realmente não é uma situação agradável, mas a razão prosperou, todos voltaram ao normal. Os delegados e os policiais no local conseguiram trazer a calma



Entretanto, segundo o subcorregedor da PC Elder D'Angelo, que acompanhou o caso deste o início, os militares erraram.



— O procedimento normal é fazer a prisão, entregar ao delegado, apresentar ao delegado e o delegado irá decidir sobre a autuação em flagrante. Este que é o procedimento padrão. Até porque não se trata de crime militar. O policia militar, segundo foi me informado, está de licença médica. Então, a arma que foi utilizada é particular dele, não é arma da corporação. Foi um crime comum. Não há necessidade dessa movimentação toda, não sei o porque disso tudo

Os policiais civis foram baleados pelo militar após serem confundidos com bandidos ao abordarem um motociclista durante investigação no bairro Juliana, região norte da capital mineira.
O piloto foi parado pelos civis em frente à papelaria da esposa do militar. Eles estavam um carro descaracterizado e, por isso, a comerciante achou que se tratava de um assalto e pediu ajuda para o companheiro. Em seguida, o cabo, de 30 anos, atirou diversas vezes contra os civis.
As vítimas, que são da Delegacia de Vespasiano, na Grande BH, foram socorridas e levadas para o Hospital Risoleta Neves, em Venda Nova. Porém, Marcelo Gonçalves Ferreira foi transferido para o Hospital Vera Cruz, em Belo Horizonte, durante a madrugada desta quinta-feira (21). Os dois não correm risco de morte.

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