quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Seis integrantes de quadrilha especializada em furtos pela internet são condenados no Centro-Oeste

Seis integrantes de uma quadrilha especializada em furtos pela internet foram condenados pela Justiça Federal em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O grupo praticava os crimes por meio do sistema de internet banking. A sentença é decorrente de denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF), no primeiro semestre de 2007. Todos respondem pelos crimes de furto, quebra ilegal de sigilo financeiro, interceptação ilegal de comunicações telemáticas, corrupção de menores para a prática de crimes e formação de quadrilha.
 
Segundo a denúncia, clientes de diversas instituições bancárias de todo o Brasil, em especial da Caixa Econômica Federal, foram lesados pela quadrilha, que tinha sua base operacional nos municípios mineiros de Itaúna e Divinópolis. Sendo que, foram registradas remessas fraudulentas em 140 contas de clientes só de agência da Caixa em Itaúna.
 
As investigações começaram depois que um correntista da Caixa denunciou três transferências eletrônicas que partiram de sua conta de poupança para contas de terceiros. No decorrer dos trabalhos, escutas telefônicas e dados colhidos por meio de depoimentos e documentos apreendidos pela "Operação Pedra Negra", em junho de 2006, auxiliaram na descoberta do esquema de furtos em contas bancárias de vítimas em vários locais do país. 
 
Foi desvendado que, normalmente, o hacker escolhia as vítimas a partir de listas obtidas no Orkut ou em salas de bate-papo. Em seguida, enviava e-mails solicitando atualização dos dados bancários, com um link de acesso que, na verdade, direcionava para um domínio falso, que hospedava não apenas uma página idêntica à da instituição financeira, como também um programa de espionagem.
 
Outra estratégia utilizada pelo hacker era o envio de e-mails para atrair a atenção das vítimas, como supostos prêmios, contatos de ex-colegas de escola ou fotos de conteúdo erótico. Ao abrir o anexo da mensagem, o correntista instalava em seu computador um vírus, que era ativado sempre que a máquina acessava a internet. Esse vírus, ao identificar o acesso a uma página de internet banking, copiava os dados digitados e convertia-os em arquivo de texto, que era armazenado na caixa postal do hacker. A partir daí, os dados eram utilizados para a transferência online de valores da conta da vítima para as contas dos criminosos ou de “laranjas”.   
 
Condenações
 
O grupo criminoso contou com a atuação do “hacker” Antônio Marcos Correia da Silva. Ele era o responsável pela escolha das vítimas e pela captura dos dados que franqueavam acesso às contas bancárias, incluindo a respectiva senha. Silva, que já responde a um inquérito policial e a outras duas ações penais por crimes semelhantes, perante a Justiça Federal de Goiás, foi condenado a 7 anos e 6 meses de prisão, em regime semi-aberto.  
 
Já os “biscoiteiros” Yuri Glaurus Machado, Bruno Lopes de Oliveira e Lucas Carvalho de Oliveira agiam no segundo degrau da organização criminosa. Além de informarem ao hacker os dados das contas nas quais seriam depositados os valores, muitas vezes, os “biscoiteiros” promoviam, eles mesmos, as transferências fraudulentas por meio dos programas fornecidos por Silva. Eles também repartiam os valores e distribuíam entre os participantes do esquema.
 
Em juízo, Yuri afirmou que os saques variavam de R$ 1.000 a R$ R$ 5.000 e que metade desse valor era depositada em contas bancárias do hacker mantidas em diferentes instituições financeiras. O "biscoiteiro" confessou ter sido aliciado por Silva, o que também foi dito por outras testemunhas. 
 
Yuri foi condenado a 7 anos de prisão; Lucas Carvalho, a 7 anos e 8 meses, ambos também em regime semi-aberto. Bruno Lopes de Oliveira morreu durante a instrução da ação penal. A sentença registra que Yuri e Lucas exerceram também, em algumas ocasiões, a função de “carteiros”, outra função desempenhada por integrantes da organização criminosa. Os “carteiros” tinham a função de escolher os “laranjas”, pessoas que cediam sua identificação pessoal, contas e cartões bancários para depósito dos valores furtados. Nessa tarefa, foram acusados Leandro Padilha Malatesta e Alisson Ramos Rodrigues, este último também falecido após o oferecimento da denúncia pelo MPF.
 
Leandro Padilha recebeu pena de 7 anos e 7 meses de prisão. Por se tratar de réu reincidente, já condenado pela prática de outros crimes de furto, ele deverá cumprir a pena em regime fechado.   
 
Entre os “laranjas”, a maioria de menores de idade, estavam diversos alunos da Granja Escola Municipal Dona Dórica – Fundação São José, em Itaúna. Eles possuíam conta na Caixa Econômica Federal para recebimento do benefício Bolsa-Escola. Os estudantes cediam o cartão bancário para a quadrilha e, em troca, recebiam quantias que variavam entre R$ 200 e R$ 250. Ao todo, foram identificados 27 “laranjas”, sendo 15 adultos e 12 menores. Entretanto, o único "laranja" condenado foi Fillipe Oliveira Lopes, que recebeu pena de 2 anos e 8 meses, em regime aberto.
 
Erlon Luís da Silva, outro integrante da quadrilha, foi condenado pelo crime de falsificação e uso de documento por ter falsificado uma carteira de identidade para abrir contas bancárias e cartões de crédito. Ele terá de cumprir 4 anos e 8 meses de prisão, em regime semi-aberto. (* Com informações do MPF/MG)

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