segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Falta de efetivo policial reduz segurança em Pará de Minas

Falta de pessoal, tanto na Polícia Militar quanto na Civil, bem como estrutura precária de trabalho para os agentes policiais e inexistência de casas de detenção adequadas e vagas nos presídios. Essa é a realidade da segurança pública em Pará de Minas (Região Central do Estado), conforme relataram autoridades daquele município durante audiência pública realizada na cidade nesta sexta-feira (6/12/13) pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A reunião foi solicitada pelo deputado Inácio Franco (PV). Segundo ele, foi uma demanda da Câmara Municipal e de comerciantes da região, que têm se sentido cada vez menos protegidos contra os criminosos que agem na região. O comandante da 19ª Cia. Independente da Polícia Militar, major Joel Rocha da Silva, confirmou que a quantidade de crimes violentos tem aumentado em Pará de Minas, com 183 registros neste ano.
A cidade, de 84 mil habitantes, conta com um efetivo de 144 policiais militares, sendo que 11 deverão se aposentar em 2014, com perspectiva de novas contratações somente a partir do 2º semestre do próximo ano. A corporação atende a outras seis cidades na região. Na Polícia Civil, são 57 policiais, sendo cinco investigadores, número considerado muito aquém do necessário para atender a 11 cidades, conforme disse a delegada regional de Pará de Minas, Eliete Maria de Carvalho. Além disso, dois municípios, Papagaios e São Gonçalo do Pará, estão atualmente sem delegados, sendo que o de São Gonçalo do Pará se aposentou em março e até hoje outro não foi nomeado para seu lugar.
“O grande problema, que é de todo o Estado, é a falta de efetivo”, afirmou o deputado Inácio Franco. O prefeito de Pará de Minas, Antônio Júlio, concordou, informando que, nos últimos dez anos, 19 mil policiais foram contratados em Minas, mas 22 mil deixaram a corporação. A ideia que o Governo do Estado vende para fora, segundo o prefeito, é de que tudo anda muito bem em Minas Gerais. Mas, na sua avaliação, a realidade é bem diferente.
O deputado Inácio Franco completou que o número de delitos cometidos é muito maior do que as estatísticas oficiais mostram, não por causa de dados maquiados, e sim porque as vítimas estão deixando de acreditar na ação das forças de segurança pública e acabam não formalizando as denúncias.

“Infelizmente os pleitos são os mesmos, os discursos são os mesmos, todos sabem das necessidades e elas vêm sendo postergadas há pelo menos dez anos”, lamentou o promotor Renato Vasconcelos de Faria. Segundo ele, grande parte dos crimes cometidos atualmente tem origem no vício no crack. “O Estado e a sociedade estão perdendo a guerra contra o crack. Sem atacar essa questão, não vamos resolver o problema”, destacou.
O promotor relatou ainda que as forças policiais e judiciárias passam o dia a dia combatendo apenas o pequeno tráfico, não havendo um trabalho de inteligência para detectar os grandes traficantes e evitar a distribuição da droga na cidade. Ele se queixou dos gastos do governo com propaganda e disse que essa verba poderia ser usada para melhorar a segurança da população.
O deputado Inácio Franco disse que é preciso que a região seja contemplada com um centro de internação de menores e uma casa de albergados, pois, de acordo com ele, o condenado a regime semi-aberto acaba ficando em casa. “Então é como se não houvesse pena”, concluiu. Pará de Minas sedia o único complexo penitenciário da região Centro-Oeste do Estado, com capacidade para 396 detentos. Mas a população carcerária chega a 680 presos, relatou sua diretora, Sara Simões Pires.
O chefe do 7º Departamento de Polícia Civil de Divinópolis, Alexandre Andrade de Castro, lamentou a expansão da criminalidade para locais antes completamente pacatos. Ele lembrou que faltam vagas nos presídios, então não basta a polícia duplicar o efetivo e prender mais gente, pois não há lugar para todos os criminosos. “Sempre estamos buscando soluções caseiras, e são paliativos, não vão resolver os problemas em definitivo”, afirmou.
Apreensão - Durante a fase de debates, quando os espectadores puderam se manifestar, diversos moradores e vereadores relataram episódios nos quais foram vítimas de assaltos e falaram de sua preocupação com o aumento da criminalidade e do uso de drogas na cidade, principalmente pelos jovens. Quanto a essa questão, o deputado Cabo Júlio (PMDB) advertiu que, muitas vezes, a população espera que o poder público resolva todos os seus problemas, mas que a conscientização quanto ao perigo do crack é uma responsabilidade dos pais que não pode ser transferida para a polícia.
O deputado acrescentou que, apesar do aumento da criminalidade, as polícias nunca prenderam tanto quanto agora. Só em Minas, destacou, há 42 mil mandados de prisão expedidos, mas que ainda não foram cumpridos por falta de vagas nos presídios. Ele garantiu que todas as demandas apresentadas durante a reunião serão objeto de encaminhamentos por parte da comissão.

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