segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Tráfico usa redes sociais para mostrar armas, drogas, joias e roupas caras

A internet tornou-se um território sem lei para criminosos cada vez mais jovens de áreas do Rio ainda não pacificadas pelas forças policiais. Eles estão usando as redes sociais para exibir armamento pesado e fazer apologia ao tráfico de drogas. As páginas já estão na mira da Polícia Civil, que tem solicitado ao Facebook a retirada dos perfis usados para incitar a violência.
Meninas adolescentes também têm exaltado facções criminosas em frente a carros da Polícia Militar. Além das armas, eles ostentam joias, dinheiro, roupas de marca e motocicletas potentes usadas nos morros.
Traficantes do Juramento (Vicente de Carvalho), Serrinha (Madureira), Faz Quem Quer (Rocha Miranda) e Nova Holanda (Complexo da Maré) aparecem com mais frequência nas redes sociais e trocam ameaças.
Conhecida como ‘Digata trem bala’, uma jovem, com roupas curtas, se exibe ostentando um fuzil e uma pistola. Ela ainda faz questão de intimidar. “Se peitar, vai morrer fiel”, diz a moça, aguçando a curiosidade de outras adolescentes. “Essa é estouro. Preciso de uma peça dessa”, comenta uma amiga.
Oriundo do Morro da Pedreira, em Costa Barros, um rapaz postou, no dia 4 deste mês, uma foto em que ele e outros cinco jovens aparecem fortemente armados.
Perfis com nomes de comunidades estão por toda parte nas redes sociais. Uma delas, com o nome de ‘Cajueiro CVzada’, exibe traficantes orando com religiosos antes de irem para o confronto com bandidos rivais.
Na Nova Holanda, um suspeito publica fotos de tênis e roupas de marca que custam R$ 250 e uma pistola.

Polícia monitora web para coibir crimes
A postagem de fotos de armamentos e a ostentação feita por traficantes podem estar com os dias contados se depender da Polícia Civil. Segundo o delegado Gilson Perdigão, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), a especializada realiza constantes rondas virtuais em sites da internet para monitorar e coibir a prática de crimes na web.
Ainda segundo o delegado, quando os perfis são encontrados, o site é oficiado para que forneça todos os dados necessários à investigação e retire a página do ar. Caso isso não ocorra, a especializada recorre à Justiça, solicitando as providências cabíveis.
De acordo com o antropólogo e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Storani, as postagens na internet são para mostrar poder. “Para muitos jovens que cresceram no meio da violência, isso acaba sendo natural. Eles acreditam que vão ganhar respeito e são tratados como ícones. É uma forma de se promover e ter projeção de poder, violência e maldade dentro de sua comunidade. A polícia deve retirar essas páginas”, alertou o especialista em segurança.

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