quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Polícia adota o fator surpresa para combater o crime

Nos pontos de ônibus, na porta dos comércios, nos cruzamentos e bancas de jornais. Eles podem estar em qualquer lugar, sempre à espreita, à espera do momento certo para agir. O fator surpresa, arma que sempre fez parte do arsenal de bandidos, agora é a grande aposta da polícia para conter o avanço da criminalidade em Belo Horizonte.
Nos moldes da ação intitulada em Nova York como “Tolerância Zero”, que colocou os agentes de segurança nas ruas “disfarçados” de cidadãos comuns para prender marginais, as polícias da capital apostam na abordagem diferenciada para combater a violência.
O foco inicial são autores de crimes contra o patrimônio, como roubo a comércios, residências, motoristas e pedestres. Formada por policiais civis e militares, a Equipe de Missões Diferenciadas (EMD) está em atividade há pouco mais de três meses. A primeira etapa, que durou cerca de 60 dias, serviu para compor a chamada vitimização. “Foi feito um treinamento a pé no hipercentro para podermos tirar do policial a postura e o traquejo que acabam chamando a atenção”, explica o delegado José Olegário de Oliveira, que também participa da ação na rua.
Agora os policiais já conseguem se passar por vítimas em potencial e efetuar prisões em flagrante. Em pouco mais de um mês atuando nos pontos chamados de “zonas quentes” de criminalidade, a EMD prendeu mais de 30 pessoas. Ontem, no Centro, seis pessoas, suspeitas de envolvimento com drogas, foram presas no fim da tarde pelos agentes que se passaram por interessados no produto ilícito.
“Estamos buscando uma nova forma de combate à criminalidade, algo que ainda não fizemos. Ainda é cedo para falar de resultados, mas não há um só dia em que a equipe não seja bem-sucedida no trabalho”, afirma a chefe do Comando de Policiamento da Capital, coronel Cláudia Romualdo. A ideia, segundo a comandante, é criar uma “sensação de insegurança” para os bandidos.
O trabalho, que começou no hipercentro, já está pulverizado em outras regiões, como a Centro-Sul. “Levamos em conta levantamentos feitos em cada área para definir como, quando e onde agir. Tomamos como base estudos que apontam 5% dos criminosos como responsáveis por 50% dos delitos”, diz o delegado chefe do 1º Departamento de Polícia Civil, Anderson Alcântara.
Na região Central, os dados do setor de inteligência das polícias apontam para quatro pontos de ação. Na região Centro-Sul, três áreas já foram identificadas. Na maioria dos casos, locais que ficam em vias grandes e movimentadas como a Afonso Pena. Apesar de sempre atuarem armados e com apoio de policiamento ostensivo, os integrantes da EMD ainda não precisaram disparar um tiro.

Plano é levar projeto para outras regiões

Apesar de ainda atuar em caráter experimental, já se pensa em reforços para a equipe de policias à paisana. A ideia é ampliar o campo e áreas de atuação de combate à criminalidade. “Vamos identificar outros policiais com perfil para esta função e atuar de forma mais abrangente”, afirma a coronel Cláudia Romualdo.
Equipamentos tecnológicos, como câmeras de visão noturna, também podem ser adquiridos posteriormente. E se depender dos resultados, os investimentos devem acontecer em breve.
Na semana passada, um ladrão, que já tinha passagem pela polícia, por roubo, foi preso ao tentar roubar um policial “disfarçado” de pedestre. O fato ocorreu na avenida Nossa Senhora do Carmo, na região Centro-Sul da capital. A via foi alvo de reclamações de pedestres e motoristas em matéria publicada pelo Hoje em Dia, na semana passada, por causa do crescimento no número de assaltos.
“Nós sabemos do sofrimento da sociedade e por isso é que resolvemos adotar este tipo de modelo de combate à criminalidade, somado ao modelo que já está vigente. Para mim é tolerância menos zero, o zero já não dá mais”, diz o delegado José Olegário de Oliveira.
Mas, para trazer resultados efetivos, a participação da população é fundamental. “Acabamos identificando como as pessoas são descuidadas e distraídas. Isso acaba atraindo os criminosos. É preciso lembrar que segurança pública é uma responsabilidade de todos, não só da polícia”, observa o delegado Anderson Alcântara.

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