sábado, 15 de fevereiro de 2014

Violência na capital também indigna Polícia Militar

A onda de criminalidade que gera sensação de insegurança na sociedade atinge diretamente quem tem, por ofício, que cuidar da segurança no dia a dia. Os policiais têm se mostrado cansados de “enxugar gelo” e impotentes no combate ao crime. Em uma rede social, um oficial da Polícia Militar em BH publicou um desabafo em resposta às cobranças constantes feitas à corporação.

Citando questões como o repasse de verba para a segurança pública e a eficácia das leis, o tenente Ronan Sassada Silva, comandante da 14ª Cia do 49º Batalhão, na região Norte da capital, faz um alerta para a sociedade.

“É natural que a população cobre da polícia, porque ela está mais próxima, mais acessível de todos. Mas a polícia tem as suas limitações até mesmo para dar a segurança que a população merece. A população não tem muita percepção e amadurecimento sobre esse assunto. O certo seria cobrar ações de pessoas que têm poder para mudar as leis”, afirma o policial.

Na visão de um dos mais importantes criminalistas de Minas, porém, a solução passa por outro caminho. “Qualquer um que disser que mudar a lei e agravar a penalidade vai resolver o problema está enrolando. Eu chamo isso de demagogia legislativa. Se isso resolvesse não teríamos registrado aumento nos crimes hediondos, como homicídio e tráfico de drogas, desde 1990, quando uma lei específica aumentou a punição para estes delitos”, disse o advogado Marcelo Leonardo.

Ele fez parte da comissão de juristas que criou um texto, encaminhado ao Senado, com propostas para a reforma do Código Penal. O endurecimento das leis não é citado. “Temos que considerar o sistema e analisar os vários filtros de impunidade. O problema passa pelo cidadão que não registra o boletim de ocorrência, pela falta de policiais nas ruas, o inquérito que não anda, pelos mandados de prisão que não são cumpridos e pela lentidão nos processos. As leis são boas, falta executá-las”, afirmou.

A opinião é partilhada pelo presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), Herbert Carneiro. “Não é a lei, por si só, que vai resolver o problema. Falta entrosamento entre as autoridades que integram o sistema de segurança e de Justiça. A legislação, além de punir, preconiza ações de prevenção, que não são executadas. Com este cenário, não justifica discutir novas leis”, observou o magistrado.

Enquanto se discute uma saída, a sociedade não sabe mais a quem recorrer. Mesmo a prisão, com condenação, não é garantia de que a situação vá melhorar. Desde que perdeu o filho, em 2007, a arquiteta Maria da Consolação Lara Rocha revive a dor em cada crime noticiado.

Assassinado durante um assalto na região Norte de BH, Vinícius Rocha, de 27 anos, foi vítima de um bandido que estava em liberdade condicional. “Toda vez que vejo alguma notícia sobre violência no jornal ou na televisão, relembro tudo aquilo que vivia há sete anos. Vivo a cada momento com a violência que parece que está pregada na gente. Acho que as autoridades não estão agindo com firmeza contra a violência”, disse.

Nossa Senhora do Carmo recebe policiamento

Um dia após o Hoje em Dia mostrar o medo das pessoas que residem, trabalham ou simplesmente trafegam nas imediações da avenida Nossa Senhora do Carmo, uma das mais movimentadas da zona Sul de Belo Horizonte, a Polícia Militar montou uma grande operação na última sexta-feira (14) nos becos e entrada do morro do Papagaio.

O objetivo era tentar identificar e prender os bandidos que há dias estão aterrorizando quem passa pela região.

Na última ocorrência, registrada na quinta-feira, dois homens armados que estavam em uma moto cercaram o carro de um casal, na avenida Nossa Senhora do Carmo no cruzamento com a Uruguai. Segundo relatos das vítimas, um dos suspeitos parou do lado do carro e ordenou que o motorista entregasse o relógio.

Com medo, ele acelerou o carro e entrou na pista exclusiva para ônibus sendo seguido pelo criminoso. Antes de chegar na avenida do Contorno, na Savassi, o motociclista fechou o carro da vítima, que reagiu e acelerou contra a moto.

O comparsa que seguia em outra moto, atirou contra o carro do casal. A bala ficou alojada na porta. Com medo, o motorista continuou dirigindo até encontrar uma viatura policial na avenida Cristóvão Colombo.

A moto do suspeito, uma Twister placa DHJ-9081, foi arrastada pelo carro na fuga. Até a última sexta-feira (14) à tarde, os criminosos não foram identificados e presos, mas as câmeras de seguranças de comércios instalados às margens da avenida Nossa Senhora do Carmo, entre os bairros Savassi e Belvedere, poderão ajudar a polícia a identificá-los. As imagens ainda não foram solicitadas.

Segundo o comandante do 22º Batalhão, tenente-coronel Eucle Figueiredo Onorato Júnior, na última sexta-feira (14), em função do grande efetivo policial, não houve registros de roubos ou assaltos na região. “As operações vão acontecer diariamente. Não há data para pararmos”, garantiu o comandante.

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