sexta-feira, 18 de julho de 2014

Polegar diz que não é mais do crime: ‘É um dinheiro que a gente não pode usar’

O traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, de 40 anos, disse, em entrevista na sede da ONG Afroreggae, na Lapa, que “não tem mais facção e não pertence mais ao crime”. Polegar, ex-chefe do tráfico na Mangueira, foi solto na manhã desta quinta-feira. Preso em 2011, no Paraguai, o ex-chefe do tráfico da Mangueira estava desde janeiro deste ano no Rio, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, depois de ficar quase três anos anos no presidio federal de segurança máxima de Porto Velho, em Rondônia. Há dois meses, ele estava em Bangu 1.
- Perdi minha juventude preso. Eu sabia que se não deixasse o crime, eu ia morrer ou acabar voltando para a cadeia, não tinha opção. O crime dá um dinheiro que a gente não pode usar. O que adianta eu ter dinheiro para comprar um carro, se não posso sair da favela? Prefiro a liberdade, que é o bem mais precioso que tenho - garantiu.
O traficante, que vai agora trabalhar com a ONG Afroreggae, contou que foi a leitura que o fez aguentar tantos anos na prisão, principalmente na unidade federal.
- Se você não souber ler, você pira. Li muito. A cada quatro dias, lia um livro de 500 páginas. Aquele lugar (presídio federal) é uma clausura. Se não fossem os livros, teria enlouquecido - disse Polegar, citando títulos de Dan Brown, Sidney Sheldon e Kim Collier, além dos livros “Ossos da Colina”, “A chave de Rebecca” e “A Hospedeira”.
Nascido e criado na Mangueira, Polegar disse que entrou no crime aos 17 anos, “porque foi o caminho natural”:
- É muita ostentação. Baile funk, mulher, dinheiro e a gente acaba não indo por outro caminho. Na realidade, é uma grande ilusão. Quem vive ali acha que é o único meio de sobreviver - disse ele, novo funcionário da ONG, que chegou a trocar cartas, da prisão, com José Junior, coordenador do Afroreggae.
Polegar ainda responde a um processo na 4ª Vara Criminal, por constrangimento. Ele é acusado de ter mantido reféns durante uma rebelião, em Bangu 3, em 2003. Outros réus da ação respondem por mortes que aconteceram naquela ocasião dentro da unidade.

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